terça-feira, 3 de março de 2009

Spectrial - O Julgamento

No mundo computacional, a maior verdade e talvez uma das forças na qual mais cremos está sobre um duro teste. Todo gamer, computeiro, otaku, fã-de-series, amante de músicas, assistidor de filmes, 1337, h4ckz0rs e pessoas ligadas ao entretenimento na computação conhecem o legado dos polêmicos torrents. Com apenas três cliques, você começa a baixar seu arquivo com velocidade ilimitada, segurança e com uma única certeza: Esse é um direito seu.

Todas as pessoas acima citadas podem ser divididas em dois grupos: O grupo que conhece (e portanto usa) o The Pirate Bay e o grupo de pessoas que não conseguem alcançar a felicidade de ter um torrent com apenas três cliques.

A situação é tal que acredita-se que 80% do tráfego da internet hoje é de torrents. Desses 80%, metade usa o The Pirate Bay como tracker e, portanto, 40% de TODO O TRÁFEGO da internet tem inicio nos servidores do The Pirate Bay.

Há alguns dias, dia 31 de janeiro para ser exato, uma união-de-pessoas-pagas-para-reclamar-e-pseudo-apoiar-a-propriedade-intelectual iniciou um processo contra o The Pirate Bay, com diversas acusações, todas referente à quebra de direitos autorais, exigindo dos donos do site (que mal se sustenta com a propaganda que tem) uma quantia próxima aos 14 milhões de dólares em indenizações.

O processo logo se alastrou por todas as comunidades e redes sociais relacionadas à computação mundiais (exceto no Brasil). A cada dia de julgamento, uma nova piada, um novo caso: É como se a acusação estivesse trabalhando para que todos os computeiros tivessem o que contar para seus netos.

Em exatos um dia e meio de julgamento, metade das acusações foram retiradas por “problemas técnicos”. Imaginemos a cara do renomado advogado dizendo aos computeiros e pessoas descentes presentes no julgamento: "Olha pessoal, desculpa, mas nós vamos retirar metade das acusações por razões técnicas... Vamos fingir que isso nunca aconteceu, tá?".

Mais alguns dias depois e cai por terra outra parte das acusações, que também se mostraram improcedentes dado o fato de que a gente baixa do site e não de seus donos. Como se pode ver, o processo foi bem bolado, os advogados (aparentemente formados em renomadas universidades particulares como UNI* e UNIBOZO) estavam preparados para um caso épico como este. No tribunal, em meio ao caos onde computeiros eram acusados por cozinheiros, modelos e pessoas não-relacionadas à área, foi necessário que a defesa apresentasse como criar e espalhar torrents. Durante a apresentação, a defesa disse várias vezes as palavras "kopimi" (CopyME), Boccolis e outras coisas engraçadas de se ouvir em um tribunal.

É um verdadeiro show. Toda noite ocorrem festas nas proximidades do julgamento e a mídia sueca cobre o caso como nós cobrimos o caso de uma moça que se esfaqueou e mentiu perante a justiça suiça. Tentaram prender os servidores do site, mas o site voltou ao ar poucos dias depois, tentaram colocar novas provas-surpresa no julgamento, mas o juiz não deixou e tudo indica que, ao fim do julgamento, teremos três jovens computeiros livres de todas as acusações e soltos para baixarem todo o conteúdo ilegal que quiserem.

Por fim, uma nota: Eu não apoio a pirataria, só acho que é ridículo colocar no preço do produto final o pagamento do salário de uma centena de pessoas inúteis ao projeto, além de Royalty (homosexualismo explicito), e outras coisas que tornam o produto caro e inacessível. A pirataria não afeta a nós, programadores, gerentes de projetos e computeiros em geral. Se o produto vender ou não, nós ganhamos do mesmo jeito, o problema é da empresa para a qual trabalhamos e ela que se vire com a forma de vender seus produtos.

Estamos na era em que a criatividade gera lucros. Se você cria um programa fechado e solta na internet para vender, você está simplesmente pedindo para a “comunidade” dar um jeito de burlar a chave do seu programa ou distribuí-lo ilegalmente! Seja criativo, pense em formas de ganhar dinheiro sem sobretaxar seu software e assim, diminua o custo do seu produto, o que o tornará mais competitivo e atraente para seu consumidor.

Uma coisa é pagar R$20,00 por uma licença (life-time) de um produto e usá-lo como bem entender. Outra coisa é comprar um computador e ter três escolhas à fazer: Comprar uma licença do Windows por módicos R$500.00, baixar o Windows no The Pirate Bay por módicas 4 horas de download ou usar Linux. Eu não posso pagar mais do que um salário mínimo em um software que lança uma versão à cada 3 anos sendo que em cada versão serei obrigado à pagar mais R$500.00.

Eu não me importo de ver placas com propagandas em meus jogos (é até legal ver as propagandas da nVidia no Burnout Paradise), não me importo com logos discretos e leves nos programas gratuitos que uso e não me importo em usar apenas as funcionalidades básicas de um software sem pagar por ele. Porém, a versão DEMO DO WINDOWS VISTA (Vista Starter) já custa uma facada!

Curiosamente, se eu escrevesse "Baixem tudo o que puderem, vocês são livres para escolher qual software comprar!" eu já seria acusa de estimular a quebra de direitos autorais, por isso, não escreverei nada. Prefiro me calar à lei injusta dos homens a ter que olhar nos olhos das aves de rapina que me observam do alto.

Darvius, O Ás da Ironia.

PS: Esse texto foi escrito em um Windows Vista original fornecido gentilmente pela Universidade Estadual Siberiana (sério, o Windows tem licença acadêmica), usando o Firefox e todas as opiniões nele expressadas só podem ser reproduzidas caso me paguem R$17,99 por publicação ou o equivalente em cervejas.
PSS: Realmente não reli o texto com atenção. Qualquer gafe, coloque na conta da reforma ortográfica.

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