quarta-feira, 18 de março de 2009

A Ironia da Guerra II

Sou uma pessoa com problemas. Todo mundo no meu quarteirão tem problemas. Se eu compartilho meu problema com todos e todos resolvem vender suas coisas por que temos um problema, teremos uma crise.

Talvez meu vizinho não goste do meu problema, não goste da crise que eu ocasionei e, por acaso, ele possui um lança-mísseis. Não é um problema, pois eu também tenho um lança-mísseis. Primeiro, ele tenta tomar meu quintal e acabar na marra com a crise que comecei. No começo, entro na briga, bato a vassoura no chão, jogo pedras, coloco merda em uma meia e jogo em cima do carro dele... E ele fica puto. Ele pega o lança-mísseis.

O primeiro tiro atinge minha sala de computador. Eu fico puto e pego meu lança-mísseis. Acabo com a parafernália de DJ que ele tem. E, putos, nós brigamos até que todo o quarteirão seja destruído.

Nenhum de nós jamais lembrará (depois de inalar tanta fumaça) quem deu o primeiro tiro. Não veremos nada além de fumaça, destruição e caos até que tenhamos a coragem de reconstruir tudo. Nunca mais brigaremos, até a próxima crise.

Agora, amplie as coisas. Meu país tem um problema. Todos os países do meu bloco econômico e que dependem de mim tem problemas. Nós começamos a bagunçar as coisas, jurando de pés juntos que o liberalismo econômico vai trazer tudo de volta como era antes (exceto os problemas, eles ficarão para trás).

Um país governado por um louco pode não gostar da crise e me culpar por ela. Se de alguma forma entrarmos em conflito armado, lutaremos por meses, anos... Mas um dia alguém vai apertar o botão. O mundo se verá em caos, fumaça e destruição por algumas horas e, após estes mágicos momentos, o silêncio.

Não é Deus que escreve por linhas tortas: É o liberalismo econômico. A mão invisível que ajuda a economia é a mesma mão e puxa o gatilho, que nos protege com a diplomacia e que aperta um botão.

Posso estar errado, mas tantos já previram a Terceira Grande Guerra Mundial... É inegável que desde a crise dos mísseis em Cuba as coisas mudaram. Um diplomata não olha para a cara do outro durante uma crise militar entre duas potências nucleares...

“Guerra. A Guerra nunca muda...
O fim do mundo ocorreu bem como previmos.
Muitos humanos, recursos insuficientes para continuar...
Os detalhes foram triviais e sem sentido, as razões, como sempre, foram aquelas puramente humanas...
Em 2077, a vida humana foi praticamente apagada da terra:
Uma grande limpeza, uma faísca atômica lançada por mãos humanas, rapidamente saiu do controle.
Lanças de fogo nuclear choveram dos céus e continentes foram engolidos por chamas, afundando em oceanos ferventes.
A humanidade quase foi extinta, seus espíritos tornaram-se partes de seu passado radioativo que encobriu a terra.
Uma quietude sombria caiu por todo o planeta, durando vários anos.
Poucos sobreviveram a devastação. (…)”



War... War never changes...

Darvius, O Ás da Ironia

Todas as referências deste texto são de propriedade de seus autores até a data em que caírem em domínio público. Neste dia, as referências serão usadas indiscriminadamente e provavelmente darão a seus autores e familiares um futuro de esquecimento, dor e pobreza por não terem aberto os direitos das referências antes... Isso se o mundo não acabar antes.

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