quarta-feira, 11 de março de 2009

A Ironia do Vôo

O fato é que gosto de aviões. Ando sempre olhando para cima, esperando ver um avião, freqüento sites de aviação, jogo simuladores chatos e corro atrás de pôsteres e coisas relacionadas à aviação muito mais do que corro atrás de coisas relacionadas à computação.

Outro fato é que aviões foram feitos para voar. Nenhum engenheiro jamais pensou “Mas se ele estiver caindo...” na história da aviação porque é impensável que centenas de toneladas, ao atingir o solo, possam resultar em outra coisa além de catástrofe.

Por mais que aviões sejam projetados para resistir situações rigorosas de vôos, condições anormais de temperatura e pressão, além de bombas em seus compartimentos de bagagem, suportar tiros em suas fuselagens extensas e até possuir dispositivos para cegar mísseis terra-ar (sim, em aviões comerciais que voam em áreas de risco), os aviões não passam por “crash tests” ou simulações de queda.

Simplesmente pegue o vaso mais caro de sua mãe, encha de água, suba no Burj Dubai e lance-o contra o solo. Você espera que ele se parta em centenas de milhares de pedacinhos, certo? Então o que você espera de um avião, que pesa milhares de vezes mais, voa em altitudes muito maiores e que ainda são tão aerodinâmicos quanto o tal vaso?

Então, ocasionalmente acidentes acontecem: Aviões despencam misteriosamente de altitudes de 30.000 – 40.000 pés e seus passageiros são lançados para uma verdadeira novela de intrigas e acusações. Existem pilotos que, como heróis, cedem suas vidas salvando a vida de vários de seus passageiros e existem pilotos que, ainda como heróis, recebem a dura pena de serem lembrados pela eternidade como causadores de um acidente.

Em sua definição, um acidente (veja bem: Acidente) é uma cadeia de eventos anormais, geralmente pequenos, que, em dada circunstância culminante, geram uma catastrófica reação inesperada. São coisas como um transponder desligado, um VOR com problemas, luzes de uma cidade em meio à noite, um altímetro desregulado, porém, nunca somente um desses eventos sozinhos.

Um avião poderia atravessar o continente com seu transponder desligado sem maiores problemas, enquanto um avião que se perde por causa de um VOR fora do ar pode se reorientar pela torre até se localizar na imensidão dos céus. Porém, um avião com dois ou três problemas, enfrentando condições X anormais, jamais teria chance e acabaria por virar estatística.

E com a frieza de aves de rapinas em meio ao caos de um acidente aéreo, entram “familiares” e “advogados”, procurando cabeças para ceifar e bonificações a serem coletadas. Sim, existem famílias que, para diminuir a dor do luto, preferem pressionar as empresas relacionadas para adquirir uma quantia exorbitante pela vida de seus entes queridos.

Não falo do seguro obrigatório, pago à cada família calculado de acordo com a idade do passageiro e sua provável renda vitalícia. Falo das famílias que querem mais do que isso, do que o usual dado a todos. Famílias que vão na televisão chorar o luto para depois lutarem ferozmente nos tribunais por quantias maiores.

Sinceramente, acho difícil pensar em “gastar” a indenização pela catastrófica morte de alguém. Acho impossível então, abrir um processo para poder aumentar o valor da vida deste alguém, tentando retirar mais indenização, já que “meu alguém vale bem mais do que os outros alguéns”.

E se me dizem que minto, então basta me explicarem porque tantos processos de acidentes há muito já ocorridos ainda estão abertos já que umas poucas famílias não se conformaram em ganhar apenas o que as outras famílias ganharam. Querem mais? Gostam de lembrar-se de seu ente querido como uma fonte de renda? Não sei. Prefiro enterrar meus mortos e fazer valer a frase “descanse em paz”.

Darvius, o Ás da Ironia.

PS: Alguns blogs foram tirados do ar por opinarem sobre este delicado assunto, já que algumas famílias, além de buscar um lucro maior, possuem os meios necessários para fechar a opinião pública contra sua atitude. Por esses e outros motivos é que é bom escrever por trás de um pseudônimo e manter todos os seus textos salvos no computador.

Um comentário:

Anônimo disse...

.... mas... fuck.